21/11/18 em Artigos, Artigos ISO 9001, Artigos ISO TS e IATF 16949

Sua Organização recebe auditoria, ou “sofre” auditoria da Certificadora?

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O termo “sofrer auditoria” é utilizado muitas vezes de forma intuitiva pelas organizações, quando vão passar por uma auditoria de certificação, recertificação ou manutenção do Organismo Certificador, muitas vezes porque o sentimento geral efetivamente é este, de sofrimento.

 

As 3 Principais causas do “sofrimento” numa auditoria


Inconsistência no Sistema de Gestão da Qualidade

Se o sistema for mal implementado, a tendência é a organização “sofrer” com a auditoria, pois haverá insegurança na forma pela qual os processos foram definidos para atender aos requisitos, porém uma organização que se prontifica a implantar um sistema de gestão da qualidade, não pode fazê-lo mais ou menos.

Um sistema mal implementado, vai agregar custos para a organização, já que provavelmente estará executando atividades desnecessárias que a norma não requer, executando outras de forma complexa e/ ou deixando de executar outras que são necessárias.

Além de uma boa capacitação dos gestores e da Alta Direção, outra forma para auxiliar na implementação de um sistema, é a utilização das auditorias internas, porém como a maior parte das organizações utiliza equipe interna a aderência aos requisitos fica vulnerável.

 

Leia o artigo: Auditorias Internas na ISO 9001:2015: porque terceirizar?

 

Medo dos Auditores do Organismo Certificador

Muitas organizações se submetem a “obedecer” tudo aquilo que é solicitado/ recomendado pelo auditor, bem como aceitam qualquer não conformidade que ele emita durante a auditoria, como se ele fosse “Deus”, dizendo para a organização o que é ou não “pecado”; no caso, conformidade, numa posição de “Dono da Verdade”!

Vamos lembrar que a organização é quem paga o Organismo Certificador, portanto ele é um fornecedor que está na organização para prestar um bom serviço.

Um auditor, não pode e não deve recomendar absolutamente nada, por mais óbvio que possa ser, já que isto é consultoria e a organização paga o serviço para ele relatar se está conforme ou não. Isso independe dele gostar ou não da abordagem usada.

Como alguém que acaba de chegar numa organização, vai passar ali algumas horas, não conhece profundamente seus recursos, estrutura, produtos a capacitação do pessoal etc, pode ficar recomendando soluções para os processos?

Erroneamente pouco se questiona os auditores, com receio de que se tornem mais rigorosos durante a auditoria; entretanto isso não existe, pois se questionando ou não, a referência dele sempre terá que ser os requisitos da norma e como a organização atende. Se a condução estiver sendo inadequada a organização pode ligar durante a auditoria ao Organismo Certificador e reclamar. Garanto que a postura dele muda daquele momento em diante.

O que não pode acontecer é a organização questionar por questionar (batom no colarinho por exemplo – rsrs), ou seja fazer pressão no auditor para que ele feche os olhos para as eventuais não conformidades que forem identificadas. A auditoria precisa ser desenvolvida num ambiente totalmente profissional, honesto e transparente.

Dentro da organização, é preciso ter um profissional, interno ou externo (Consultor), que domine por completo o sistema de gestão, sabendo como cada requisito é atendido dentro dos processos, em conformidade com a norma.

 

Leia o artigo: Qual o nível das Auditorias de Certificação na ISO 9001:2015? 


Implantação do sistema, apenas para conseguir o certificado

Isso normalmente demonstra nenhum comprometimento da Alta Direção com o sistema; implica na adoção de práticas no dia a dia, ou no dia da auditoria apenas para mostrar ao auditor e certamente as auditorias internas são de baixo nível.

Pode-se afirmar que grande parte do trabalho realizado para conseguir o certificado, serão custos adicionais incorporados aos processos, pois não há uma busca sobre o entendimento e aplicação específica dos requisitos para a organização.

Normalmente organizações com esta finalidade, designam algum profissional mediano para fazer um “cursinho” da norma ou um “consultor” escrevente de documentos para mostrar ao auditor.

Finalmente alguém pode se perguntar:

Se as organizações possuem estes tipos de sistemas, como praticamente todas que são auditadas são recomendadas para a certificação?

A resposta que tenho é:

Para um sistema de gestão ruim, sempre pode haver um auditor ruim para recomendá-lo para a certificação!

Um auditor competente e profissional, não pode auditar um sistema de gestão ruim e não relatar suas deficiências bem claramente para a organização ao final da auditoria, especialmente para a Alta Direção, recomendando ou não para a certificação, pois muitas vezes a organização está se enganando e comemorando algo que não é comemorável.

Felizmente existem auditores assim, é minoria ainda, mas as organizações precisam começar a avaliar estes profissionais para verificar se estão agregando valor ou custos para a organização.

 

Escrito por:

Araújo

Diretor Técnico da ACT Consultoria & Treinamento

E-mail:  araujo@actconsultoria.com.br

 

 

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