6/02/19 em Artigos, Artigos ISO 9001, Artigos ISO TS e IATF 16949

Quais as diferenças entre um(a) Consultor(a) e um(a) Auditor(a) de Sistema de Gestão da Qualidade?

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Vale a pena entender as diferenças das atribuições de cada um, pois muitas vezes um interfere no trabalho do outro, o que geralmente atrapalha, ao invés de ajudar.

Em geral, quando um(a) auditor(a) de um Organismo Certificador vai auditar pela primeira vez uma organização, não tem ideia do que vai encontrar, pois cada uma tem sua estrutura, recursos, processos, produtos/ serviços diferentes e implantou o sistema da forma como achou mais adequada. Desta forma, o comum é haver sistemas bem diferentes um do outro, mesmo que o escopo seja semelhante.

Se a organização tem um(a) consultor(a), este deve ter uma postura construtiva e de facilitador durante a auditoria, não encarando o(a) auditor(a) como inimigo(a), nem como amigo(a), pois a auditoria deve ser um processo que ocorra num ambiente profissional.

Vamos a alguns exemplos de diferenças:

CONSULTOR(A)

AUDITOR(A)

Implanta o Sistema de Gestão da Qualidade – SGQ (exemplos: ISO 9001 ou IATF 16.949) Avalia se o SGQ implantado, atende aos requisitos da norma aplicável
Preferencialmente não deve acompanhar de perto a auditoria, muito menos responder pelos auditados. Se acompanhar, no máximo esclarecer algum aspecto muito técnico da adequação, se necessário. Não deve deixar o(a) Consultor(a) responder durante a auditoria, mesmo que já o(a) conheça. A auditoria deve ser realizada com quem executa as atividades dos processos
Não deve indicar/ escolher o(a) auditor(a) da Certificadora Evitar “parcerias” com Consultores
Precisa conhecer profundamente a norma e ferramentas para adequação, não só para atender aos requisitos, mas também para implanta-los junto aos gestores internos, de forma a tornar os processos mais rápidos, melhores e mais baratos Precisa conhecer suficientemente a norma e conceitos para conseguir avaliar a adequação, pois não lhe cabe julgar se o sistema é bom ou ruim, mas sim se está ou não conforme.
Se houver necessidade, pode contestar qualquer não conformidade que não concordar, mas com argumentos técnicos e evidências objetivas; e não discordar por discordar. Essa contestação precisa ter o aval da organização. Ao descrever uma não conformidade, definir claramente o requisito da norma que foi descumprido e descrever a evidência objetiva. Estar aberto a ouvir as argumentações do auditado, mas a palavra final é do(a) auditor(a).
Se o(a) auditor(a) tiver uma postura inapropriada, orientar a equipe interna/ responsável da organização a conversar com o(a) auditor(a) durante a auditoria, para chegar a um acordo sobre a abordagem a ser adotada. Adotar uma postura extremamente profissional e independente durante a auditoria.
Orientar a organização para facilitar o trabalho da auditoria: disponibilidade de pessoal chave e no horário previsto, serem verdadeiros durante a auditoria etc Tomar ações no caso da organização adotar posturas de contra-auditoria: pressão, ausência de pessoal chave, interrupções, atendimentos de telefones etc
Orientar a organização para não permitir sugestões de alterações nos processos, treinamentos ou qualquer outro tipo de sugestão, pois isso é consultoria, bem como o(a) auditor(a) precisaria entender todo o contexto da situação, o que dificilmente se consegue ficando algumas horas na organização   Ater-se a avaliar se há conformidade ou não, sem apresentar sugestões de mudanças, mesmo que pareça óbvio. As oportunidades de melhorias devem estar descritas de uma forma que não pareça uma não conformidade e sem descrever o que fazer. Podem ser apresentadas na forma de riscos para o processo.

 

Muitas vezes uma auditoria de certificação ou manutenção transcorre num ambiente tenso, então o(a) auditor(a) antes de começar a auditoria pode contar a primeira grande mentira da auditoria, dizendo aos auditados:

“Não estou aqui para apontar não conformidades!”

O(A) consultor(a) neste caso, pode ensinar para a organização a segunda grande mentira da auditoria, pedindo para o pessoal da organização, responder:

“Seja bem-vindo!”

Um Sistema de Gestão da Qualidade robusto, que traga maior competitividade para a organização, depende do(a) Consultor(a), ou profissional interno que implantou e do engajamento de toda Organização, especialmente da Alta Direção. Entretanto, na reunião de fechamento, é construtivo o Auditor(a) passar sua percepção em relação a robustez ou não do sistema, desde que apresente com consistência e tenha experiência suficiente para argumentar sua visão, mas sem a pretensão de dizer o que a organização deve fazer para melhorar.

 

 

Escrito por:

Araújo

Diretor Técnico da ACT Consultoria & Treinamento

E-mail:  araujo@actconsultoria.com.br

 

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