17/01/19 em Artigos, Artigos ISO 9001, Artigos ISO TS e IATF 16949, Geral

O fim do departamento da qualidade!

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A qualidade é um atributo intrínseco a um produto, processo ou serviço. Então, o que faz um departamento da qualidade numa indústria, por exemplo?

 

A seguir estão apresentadas as principais atividades dos Departamentos da Qualidade na indústria e como algumas podem ser inseridas em processos da organização, simplificadas e outras eliminadas.

As atividades que estão sendo abordadas, são:

  • Inspeção de Recebimento;
  • Auditoria de Fornecedores;
  • Inspeção durante a produção;
  • Auditoria de Produtos;
  • Análise de Produtos Não Conformes;
  • Auditoria de Processos;
  • Reclamações de Clientes;
  • Acompanhamento de Auditorias do Sistema de Gestão da Qualidade;
  • Programação e Documentação de Análises Críticas da Direção; e
  • Gestão da Qualidade.

Boa parte das propostas de mudanças apresentadas, não podem ser feitas da noite para o dia; entretanto, é o caminho a ser buscado no menor espaço de tempo possível, para que a organização saia de uma situação de conforto e alcance maior competitividade.

Essas mudanças também não significam que os profissionais da qualidade perderão o emprego, mas sim terão atribuições dentro da organização incorporadas aos processos e não fora deles, evitando ter uma abordagem policialesca da qualidade, mas sim de incrementação de mudanças para agregar valor ao negócio.

Nota: Embora a abordagem seja para indústrias em geral, os conceitos apresentados podem ser estendidos para a área de serviços que adotarem práticas que podem não possuírem o mesmo nome, mas conceitualmente são semelhantes.

 

O que pode ser incorporado, simplificado e eliminado nos processos dos departamentos da qualidade nas indústrias?

 

Inspeção de recebimento

Inspeção de recebimento de produtos, é uma atividade que agrega custo para organização e na prática você está prestando serviço aos seus fornecedores, conferindo se ele está lhe fornecendo o que sua organização pediu.

Argumento do Departamento da Qualidade: os fornecedores não são confiáveis

Resposta: desenvolva fornecedores confiáveis; cobre dos fornecedores ruins os custos da não qualidade provocados por eles (escolha de produtos/ seleção 100%, retrabalhos, parada de linhas, refugos etc). Busque fornecedores certificados ISO 9001 e se não atuarem nos problemas de qualidade, reclame para o Organismo Certificador

 

Inspeção de produtos produzidos

 

Não. Isso quem tem que fazer é quem produz, eventualmente se apoiando num laboratório em função de ensaios e testes específicos, que podem ser necessários, mas se o produto está bom ou ruim, é resultado da produção

Argumento da Gestão da Produção: Mas o pessoal da produção não está qualificado para fazer inspeção

Resposta: Eduque e Treine

Outro Argumento da Gestão da Produção: Mas o pessoal da produção não tem tempo para produzir e inspecionar

Resposta: Mude o processo, pois como alguém pode passar um tempo produzindo, sem saber se está bom ou ruim?

 

Auditoria dos produtos produzidos e inspecionados pela Produção

 

Isso é ineficaz e agrega custos. Um processo produtivo robusto, deve ser capaz de produzir produtos conforme.

Se surgirem produtos não conformes, os controles da produção devem detectá-los.

Este é o caminho da competitividade: ter processos e controles robustos.

Argumento do Departamento da Qualidade: a auditoria pode evitar que sejam enviados produtos não conformes aos clientes

Resposta: se são produzidos produtos não conformes, nem uma inspeção 100% vai garantir que não cheguem produtos não conformes aos clientes. Uma boa inspeção 100% retira de 85% a 95% de produtos ruins. Se o cliente encontrar um produto ruim, provavelmente ele vai reclamar e até devolver todo o lote.

 

Análise e parecer sobre o que fazer com os produtos Não Conformes

 

Quem tem competência para avaliar se uma não conformidade pode ou não seguir, é quem desenvolveu o produto e/ou processo de fabricação, além disso não conformidades na produção, são um feedback importante para melhorar o desenvolvimento e alcançar cada vez mais, produtos e processos de produção mais robustos.

Argumento do Departamento da Qualidade: se não tiver a área da qualidade, a produção libera tudo, ou a maioria dos problemas.

Resposta: Eduque e treine a equipe da produção para cuidarem da qualidade dos produtos e coloque a Engenharia de Desenvolvimento para atuar nas melhorias, pois a maior parte das não conformidades na produção, são devido a produtos e processos desenvolvidos na correria e entregues com muitas falhas para a produção.

 

Análise e parecer sobre o que fazer com os produtos Não Conformes

 

Auditoria, salvo raras exceções, são atividades de detecção e em geral são uma repetição de boa parte da auditoria do sistema de gestão da qualidade, na qual em geral, são identificados os mesmos tipos de problemas e tomadas os mesmos tipos de ações corretivas que muitas vezes são paliativas.

Argumento do Departamento da Qualidade: a auditoria de processos pode identificar onde precisa haver melhorias para deixar o processo robusto

Resposta: um processo de fabricação precisa nascer robusto. Se o processo de fabricação era ruim e passou a ficar bom, pode analisar profundamente que a razão não está nas auditorias de processos, mas sim nas ações tomadas para corrigir as não conformidades e dificuldades de fabricação dos produtos.

 

Responder reclamações de clientes

 

Imagine um departamento que não desenvolveu, não produziu e nem entregou produtos, ter que responder por reclamações?

Argumento do Departamento da Qualidade: isso pode dar uma garantia de que o problema vai ser tratado e resolvido

Resposta: dessa forma, o Departamento da Qualidade vira um “garoto de recados” entre o Cliente e a Organização. É mais lógico, que uma reclamação de cliente seja encaminhada primeiramente para quem vendeu, pois foi quem na organização se comprometeu a entregar o que o cliente queria. O processo que envolve vendas, é que deve encaminhar o problema ao gestor do processo responsável pelas ações específicas de cada reclamação e monitorar até que o cliente esteja satisfeito com a solução. Por exemplo: se for troca de produto, pode-se encaminhar ao Gestor do Processo de Logística; se o produto está fora de especificação para o Gestor do Processo de Desenvolvimento de Produto e Processo; etc.

 

Auditar fornecedores

 

Será que um profissional, em um ou dois dias de auditorias irá promover a melhoria de um fornecedor? Se conseguir, pode virar consultor que com essa capacidade vai ganhar uma grana preta. Parece “interessante” a abordagem de auditar fornecedores que causam problemas para a organização; entretanto o efeito prático é na maioria acréscimo de custos.

Leia artigo que escrevi sobre o tema: Quando a auditoria em fornecedores é eficaz?

Argumento do Departamento da Qualidade: auditando fornecedores e ele tomando ações para corrigir suas deficiências, a qualidade de fornecimento vai melhorar.

Resposta: a auditoria precisa ser muito bem estruturada para identificar não só os problemas, mas também as causas daquilo que o fornecedor traz de transtorno para a organização. Será que o fornecedor não conhece seus problemas? Se a resposta é não, como vai atuar? Se a resposta é sim, então porque não tomou providências antes da auditoria do cliente?

 

Acompanhar auditorias internas e externas do Sistema de Gestão da Qualidade

 

Quando se tem um sistema de gestão da qualidade robusto, cada gestor entende e sabe os requisitos da norma que são aplicáveis ao seu processo.

Argumento do Departamento da Qualidade: os gestores não estão preparados para responder sobre a norma

Resposta: um Gestor não precisa estar preparado para ser especialista na norma, mas sim no seu processo e no que é aplicável a ele.

 

E você já leu nosso artigo que explica porque é melhor, mais barato e mais simples terceirizar as Auditorias Internas? CLIQUE AQUI e confira.

 

 

Programar reuniões de Análises Críticas da Direção, apresentar indicadores e outros assuntos que a norma requer? Fazer as atas para ter evidências

 

As reuniões de análises críticas são do interesse da direção, portanto basta ter a pauta, os responsáveis, programar, realizar as reuniões e deixar disponíveis o conteúdo do que foi apresentado e analisado, não precisa de ata.

Argumento do Departamento da Qualidade: é necessário ter evidências que a direção analisou todas as entradas requeridas de análises críticas e os gestores não sabem como apresentar indicadores, análises de riscos, melhorias etc.

Resposta: um Assistente que dá suporte à Direção pode programar as reuniões e registrar se elas aconteceram ou não. O conteúdo discutido está no sistema de informações da organização: sistemas, softwares, planilhas, relatórios, e-mails etc, bastando ser utilizado de uma forma inteligente, para não necessitar de atas que irão repetir informações que já existem e estão disponíveis.

 

Como fica a Gestão da Qualidade?

 

Uma vez implantado o Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ), seja com o apoio de uma consultoria, seja por um profissional interno, sua manutenção dependerá da realização de auditorias internas e das análises críticas da direção. Desta forma, não há necessidade de um funcionário tempo integral para a gestão da qualidade funcionar, pode ser um consultor externo ou um profissional próximo à Alta Direção que entre outras atribuições, tenha também a Gestão da Qualidade, mas totalmente integrada com a Gestão do Negócio.

A qualidade precisa ser disseminada e incorporada pelos processos de gestão e não estar concentrada num departamento.

Atividades como atualização de documentos, distribuição, controle de registros, lista mestra e outras, sumiram ou reduziram significativamente com a ISO 9001:2015.

A dinâmica de ter um sistema de gestão com processos robustos, práticos que tornem a organização mais competitiva, depende entre outras, da aplicação adequada de ferramentas e um trabalho forte de capacitação, especialmente dos gestores.

Aqui cabe esse texto de autor desconhecido:

 

Quem é responsável pela QUALIDADE?

 

Está é uma história sobre quatro pessoas chamadas: TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM e NINGUÉM.

A QUALIDADE era um serviço importante a ser feito, e TODO MUNDO estava certo de que ALGUÉM o faria.

QUALQUER UM poderia ter feito.

ALGUÉM ficou zangado sobre isso, por que era serviço de TODO MUNDO.

TODO MUNDO pensou que QUALQUER UM podia fazê-lo, mas NINGUÉM percebeu que TODO MUNDO não o faria.

No fim, TODO MUNDO culpou ALGUÉM quando NINGUÉM fez o que QUALQUER UM poderia ter feito.

 

Escrito por:

Araújo

Diretor Técnico da ACT Consultoria & Treinamento

E-mail:  araujo@actconsultoria.com.br

 

 

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