26/02/18 em Artigos, Artigos ISO 9001, Notícias, Novidades

ISO 9001:2015 – Quais as diferenças entre Competência, Treinamento, Conscientização e Conhecimento Organizacional?

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Pergunta 1: Sua organização ainda adota estas práticas, na implantação de sistemas de gestão da qualidade?

  • Lista de presença para treinamentos em: procedimentos, instruções, política da qualidade, ações corretivas para não conformidades etc, além de usá-las também em reciclagens desses treinamentos?
  • Treinamento nos Procedimentos e documentação, interna como requisito de competência dos cargos?
  • Cronograma Anual de Treinamento, abrangendo todas as áreas da empresa; cronograma este que em boa parte não é cumprido, necessitando atualizá-lo e justificar os treinamentos não executados?
  • É a área RH que administra os requisitos das descrições de cargos e seus respectivos registros?

Pergunta 2: Você considera que estas práticas, ajudam as organizações a melhorarem a qualidade dos seus produtos e serviços e aumentar a competência do pessoal?

Pergunta 3: Você acredita que especialistas em gestão da qualidade de 95 países (participantes da elaboração da ISO 9001:2015), se reuniram para desenvolver uma norma que visa aumentar a competitividade das organizações para incluir requisitos que as levassem a implementarem estas práticas?

Pergunta 4: Essas práticas são exigidas pela norma? Resposta: NÃO!

Então porque,  mesmo na nova versão, várias organizações continuam adotando algumas destas práticas?

Resposta: Má implantação por não interpretar os requisitos com foco na gestão do negócio ou miopia em relação a abordagem da norma; ou seja preocupação maior em passar na auditoria, porém incorporando práticas que  incorram em burocracia.

Vamos aos conceitos e boas práticas:

COMPETÊNCIA: são os requisitos mínimos de educação, treinamento ou experiência necessários para um colaborador executar determinada função, atividade ou cargo. Ao definir estes requisitos, a organização deve pensar no caso de precisar contratar alguém, quais seriam estes requisitos, porém pode-se estabelecer requisitos desejáveis (não obrigatórios), que para efeito de auditoria não poderão ser exigidas informações documentadas para evidenciar, já que são desejáveis, mas serão muito úteis para diferenciar os melhores candidatos num processo de seleção. Evidente que estes requisitos devem ser definidos pelos gestores dos processos, podendo até ter o apoio do RH, mas esta responsabilidade deve ser do gestor, pois ele é quem deve estar preocupado em montar uma equipe adequada para que consiga atingir seus objetivos, identificando os requisitos de competência necessários dos envolvidos com seu processo.

TREINAMENTO: é um dos requisitos de competência, mas não é obrigatório que todos os cargos tenham requisitos de treinamento, mas sim para funções ou cargos que sejam pertinentes. Definir como requisito de competência, que o colaborador tenha treinamento nos documentos internos (procedimentos, instruções, políticas, objetivos da qualidade etc) é inapropriado, porque a organização não estará agregando competência ao colaborador. Certamente a organização não conseguirá contratar um profissional externo que atenda estes requisitos de treinamento nos documentos internos, bem como quando sair da organização com esses treinamentos, provavelmente o colaborador não deverá acrescentá-los ao seu currículo, pois foi algo específico para a organização.

Quando se está orientando os colaboradores sobre a documentação da organização (métodos, softwares, instruções, políticas, objetivos etc), se está executando um trabalho de CONSCIENTIZAÇÃO para que os colaboradores tenham acesso ao CONHECIMENTO ORGANIZACIONAL. Para um trabalho de Conscientização, não precisa haver informação documentada (exemplo: listas de presença)  nem avaliação de eficácia, como é no caso de treinamento; e se algum Auditor desavisado perguntar como evidenciar se um determinado colaborador está conscientizado sobre determinado conhecimento, a resposta é simples: pergunta pra ele! Certamente, um visto num lista de presença não é garantia de que uma pessoa esteja conscientizada ou treinada.

CONHECIMENTO ORGANIZACIONAL: é o conhecimento necessário para o funcionamento dos processos, de tal forma que a conformidade de produtos e serviços seja alcançada. Este conhecimento deve estar disponível na documentação e recursos que a organização possui (softwares, métodos, equipamentos, reclamações, não conformidades, projetos desenvolvidos, normas externas etc), demonstrando que detém este conhecimento. Uma não conformidade neste requisito, poderia ser evidenciada se num determinado processo, o conhecimento estiver apenas na cabeça de um colaborador e não mantida pela organização; ou por exemplo, se a organização de alguma forma não utilizar suas experiências para alcançar conformidade de produtos e serviços, como por exemplo  uma ação claramente usada para um determinado projeto que teve sucesso, não fosse utilizada para outros produtos ou serviços semelhantes onde alguns conceitos ou métodos poderiam ser estendidos e aplicados.

Veja o que diz a Nota 1 do Requisito 7.1.6 Conhecimento Organizacional:

ü  Conhecimento Organizacional é o conhecimento específico para a organização; ele é obtido por experiência. Ele é a informação que é usada e compartilhada para alcançar os objetivos da organização.

Então vamos adotar práticas de competência, treinamento, conscientização e conhecimento organizacional numa abordagem que ajude a aumentar a competitividade da organização e não apenas para certificá-la, pois isto desvaloriza a implantação do Sistema de Gestão da Qualidade.

 

 

Por: Araújo, Manoel Maurício de Souza – Diretor Técnico da ACT Consultoria & Treinamento

Críticas, Elogios e Comentários: araujo@actconsultoria.com.br

Informações: contato@actconsultoria.com.br   Telefone: (11) 4224-4335

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